Era 1997 quando a Panvision deu vida ao FAM, hoje um dos mais importantes eventos audiovisuais da região sul. Em 10 anos a produtora conquistou o reconhecimento do público e da classe pelo trabalho de difusão cultural das diversas cinematografias do Brasil e do Mercosul. 842 títulos já participaram do FAM nos últimos dez anos, entre curtas e longas-metragens, vídeos e filmes 16mm e 35mm. O Fórum Audiovisual Mercosul, o outro pilar do FAM, apresenta sempre o que há de mais atual nas discussões políticas do setor. Foi ele o embrião do evento que, associado às mostras de filmes, passou a chamar-se Florianópolis Audiovisual Mercosul. A Mostra Itinerante percorre o interior do estado após o FAM e contempla um dos objetivos da Panvision: promover a descentralização e democratização da oferta de bens culturais à população. A gratuidade de todas as sessões tem o objetivo de promover a formação de público e o aprimorar a cidadania cultural.
1997 O FAM começou como seminário sobre cinema promovido com o apoio da Cinemateca Catarinenses, UFSC e Funcine. Era o I Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul, criado para discutir legislação e distribuição dos produtos audiovisuais. Entre os temas propostos estava a democratização dos meios de comunicação e o início do processo de massificação do cinema brasileiro na televisão. O idealizador do evento, Antônio Celso dos Santos, tinha o objetivo de promover parcerias entre cineastas, videastas, produtores culturais e empresários de televisão do Mercosul. No final os participantes redigiram uma carta que pedia isenção de impostos alfandegários para equipamentos. Entre os convidados estavam os cineastas Guilherme de Almeida Prado, Carlos Reichenbach, Luiz Carlos Barreto e personalidades ligadas à TV brasileira, como Cláudio Petráglia, Jorge Cunha Lima, um representante da Televisão Nacional do Chile, Augusto Góngora, Julio Raffo, da Câmara Argentina da Indústria Cinematográfica, Hugo Gamarra da Cinemateca do Paraguai e Luciano Alvarez, do Instituto de Cinematografia do Uruguai.
1998 A segunda edição do seminário foi ampliada, abriu negociações com o mercado audiovisual europeu. Foram convidados representantes de órgãos oficiais dos países do Mercosul, Portugal, Espanha e França. Os produtores cinematográficos reivindicavam uma maior facilidade para as co-produções internacionais. Numa das mesas o produtor Cláudio MacDowel, de O Toque do Oboé, relatou sua saga para realizar a co-produção Brasil-Paraguai, gastando R$ 30 mil além do previsto com taxas alfandegárias e outras burocracias envolvendo o trânsito dos equipamentos e negativos entre os países. Dos presentes, destacam-se os cineastas brasileiros Guilherme de Almeida Prado, Tânia Lamarca e Silvio Back, a cineasta uruguaia Beatriz Flores, o argentino José Luiz Castiera de Dios, do parlamento cultural do Mercosul, entre outros. Paralelo ao seminário aconteceu a Mostra de Curtas Metragens do Mercosul, com a exibição de Desterro, de Eduardo Paredes e do documentário fotobiográfico Seu Chico, Terra e Alma, de Rafael Mamigonian, entre outros; e a Mostra de Cinema Andaluz, primeira versão da Mostra Internacional de curtas.
1999 Na terceira edição o festival foi re-batizado e passou a se chamar Florianópolis Audiovisual Mercosul, nome que se tornou definitivo. A programação foi significativamente ampliada, somando 11 eventos paralelos que incluíam seis mostras de filmes. Entre elas a Mostra de Longas, que exibiu cinco produções, inclusive O Toque do Oboé, de Cláudio Mac Dowel, que havia sido tema de um debate sobre co-produções na edição anterior. Também foram realizadas, entre outras, a Mostra de Programas Televisivos do Mercosul e a 2ª Mostra Internacional de Curtas, com 17 filmes portugueses. O Fórum sugeriu a criação de núcleos de apoio para produções audiovisuais, as film comissions, e reuniu canais de televisão em torno de um projeto para o lançamento de um concurso Ibero-Americano de documentários. Estiveram presentes José Álvaro Moisés, secretário para o Desenvolvimento do Audiovisual (Brasil), a ministra da cultura espanhola Isabel Allonso, o crítico de cinema João Garção Borges, Luis Rodrigues, do Instituto Nacional de Cinema e Artes Visuais argentino, entre vários outros nomes.
2000 A quarta edição do FAM consolidou o Festival como a principal ponte para a integração do setor audiovisual do continente. A maratona de exibições começou com a Mostra Internacional de Cinema Catalão. Pela primeira vez todos os filmes estrangeiros receberam legendas eletrônicas em português, uma prática cada vez mais difundida no Brasil. Naquela edição o Fórum de Políticas Audiovisuais contou com a participação do diretor de Windows Media da Microsoft, Marcelo Negrini, que veio explicar como um filme poderia ser transmitido via Internet, uma novidade à época. Também compareceram ao evento os cineastas brasileiros João Batista de Andrade, Tata Amaral, Eduardo Paredes, o representante do sindicato da indústria de cinema Argentina, Mário Lopez Barreiro, a produtora uruguaia Irene Gonçalvez, o diretor do Departamento de Audiovisual do Ministério da Educação do Chile, Ignácio Aliaga, entre muitos e muitos outros.
2001 Nesta edição o FAM exaltou a importância do curta-metragem, tipo de filme que praticamente só encontra janelas de exibição em festivais e algumas poucas salas culturais. O coordenador do festival, Celso dos Santos, defendeu a volta dos curtas às salas de cinema. A única produção catarinense lançada na quinta edição do Florianópolis Audiovisual Mercosul foi "Roda dos Expostos", um filme de Maria Emília Azevedo sobre o abandono humano. Portugal esteve presente com curtas e longas-metragens. O Fórum Audiovisual Mercosul promoveu diversos encontros, entre eles o da Film Comission, e outro sobre Audiovisual Sul. O diretor argentino Fernando Solanas falou sobre dificuldades de produção no Mercosul. Augusto Gangorra, da TVN do Chile, mostrou como os chilenos remodelaram a TV pública ligada ao governo militar que veio a priorizar co-produções e o cinema independente com um bom resultado de audiência.
2002 A sexta edição do FAM foi premiada com a mostra de filmes da Galícia. O auditório da justiça Federal, antigo cinema Cecontur, onde foi realizada a mostra, gratuita, foi pequeno para tanto público. Lotação esgotada todos os dias. Havia produções brasileiras, peruanas, argentinas, uruguaias, chilenas e bolivianas. Entre os nacionais a imprensa destacou a exibição do premiado filme "Netto Perde sua Alma", primeiro longa-metragem dos diretores Tabajara Ruas e Beto Souza; e "O Invasor", de Beto Brant. Pela primeira vez a Mostra Curtas Mercosul e a Mostra de Vídeos do Mercosul foram competitivas. Entre os catarinenses, foi exibido o curta-metragem "Novembrada", de Eduardo Paredes.O encontro dos pólos cinematográficos reuniu representantes de nove estados (RS, SC, PR, SP, Rj, ES, CE, PE e PA). O Fórum Audiovisual Mercosul discutiu a abertura das fronteiras para o trânsito livre de filmes dos países do cone sul e a possibilidade de criação de uma Agência de Cinema do Mercosul. Entre as presenças ilustres: Roberto Farias, Daniel Herz e Fernando Solanas.
2003 Mantendo o intuito de incentivar a união e difusão de países de cultura latina, a sétima edição trouxe a Mostra de Cinema Espanhol, com filmes cedidos pela Filmoteca da AECI - Agência Espanhola de Cooperação Internacional. As animações foram o destaque da programação infantil, com exibição de vários curtas e do longa "O Grilo feliz", de Walbercy Ribas. Mais uma vez a Mostra Curtas Mercosul foi uma das mais concorridas, com lotação esgotada em todas as sessões. O FAM 2003 também promoveu o 1º Encontro Parlamentar Mercosul Audiovisual, com a presença da classe, como Marcelo Laffitte e Augusto Sevá, debatendo com políticos do estado, a exemplo da atual senadora Ideli Salvatti e do deputado federal Carlito Merss. O evento defendeu um ordenamento jurídico para o setor, com ações políticas que viabilizem as produções nacionais, garantindo também telas de exibição. Ao final do encontro foi assinado um protocolo de intenções com oito reivindicações. O Fórum debateu a necessidade de uma aliança entre a TV e o Cinema com efeitos mais práticos e a regionalização do mercado com vistas ao mercado.
2004 O 8º Florianópolis Audiovisual Mercosul é o marco divisor do evento em termos de público. Pela primeira vez o evento foi realizado no Centro Integrado de Cultura, o CIC, com a sala de cinema montada no teatro de 900 lugares - o cinema dos anos anteriores tinha 300. Naquele ano foram homenageados os cineastas Glauber Rocha e Rogério Sganzerla. Também foi selado um acordo bilateral entre Brasil e Argentina para distribuição. Entre os curtas, os catarinenses "L'Amar", de Sandra Alves, e "O Sanbto Mágico", de Rolando dos Anjos. Na Mostra Longas Mercosul foram exibidos filmes nacionais, uruguaios, argentinos e chilenos. Paralelo às mostras aconteceu o encontro das escolas de cinema, que versou sobre o ensino do cinema no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. O Fórum debateu alcances e limites da integração audiovisual do Mercosul e as conquistas do audiovisual brasileiro.
2005 O longa-metragem "Cabra Cega", de Toni Venturi, abriu o 9º Florianópolis Audiovisual Mercosul com o auditório lotado. A mostra de longas daquele ano destacava-se pela predominância de temas políticos. Completamente incorporado ao circuito nacional de festivais brasileiros, o FAM 2005 atraiu um público recorde de mais de 10 mil pessoas. Esta soma representa muito para o evento, que há nove anos trabalha pela difusão cultural dos países do Mercosul e aliados e pela formação de público. O longa-metragem "Araguaya - Conspiração do Silêncio", de Ronaldo Duque, precisou ser exibido em sessão extra, tamanha a fila que ficou de fora do Teatro do CIC. As sessões da Mostra Curtas Mercosul também atraíram um público grande, estando sempre lotadas. Um dos destaques da programação especial foi a mostra de filmes de Córdoba, importante pólo de produção argentino. O Fórum Audiovisual Mercosul debateu os desafios e aspectos fundamentais para a organização da economia do setor, entre vários outros temas. Foi criada nesta edição a Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural (CBDC).
2006 A décima edição do FAM consolidou o formato Fórum & Festival, ocupando todos os espaços e horários - menos a madrugada e o horário do almoço. Uma das principais bandeiras do evento foi a discussão sobre a importância de descentralizar a produção audiovisual do país. A deputada Jandira Feghali participou da mesa trazendo ao Fórum do FAM as notícias mais atualizadas sobre a luta política pela regionalização. O Fórum também debateu TV Digital, valorização da diversidade cultural latino-americana (Seminário Unesco) e o imposto simples para o cinema brasileiro, entre outros temas. A Mostra Infanto-Juvenil se tornou competitiva, e a Extra-FAM ganhou destaque porque recebeu muitas inscrições, embora não seja competitiva. O grande vencedor da Mostra Curtas Mercosul foi "Rapsódia para um homem comum", de Camilo Cavalcante. Entre os longas exibidos, "Veias e Vinhos", se João Batista de Andrade, o argentino "Ana y los otros", de Celina Murga, e "Mi Mejor Enemigo", do chileno Alex Bowen. A Mostra de Vídeos Mercosul apresentou 62 filmes de 12 estados brasileiros, além de Argentina e Uruguai. As salas de exibição estiveram lotadas e o público participou também votando para escolher os melhores - Júri Popular.
2007 FAM lembra vários significados: FAM de admirador, FAM de família e FAM de fame (fome em latim), uma fome que, diferente da fome por comida, não sacia: a fome pela arte." As palavras do secretário do Audiovisual do MinC, Orlando Senna, homenageado da 12ª edição, sintetizam o alcance e o sentido do Florianópolis Audiovisual Mercosul. 21 mil admiradores do cinema latino-americano assistiram a 122 produções audiovisuais no sempre lotado teatro do CIC, menor a cada ano para conter a fome do público. Em exibição, a diversidade de temas, estéticas e gerações. Enquanto o cineasta homenageado Beto Brant abria a mostra de longas com um retrato intimista da crise existencial e particular do século 21 em Cão Sem Dono, Silvio Da-Rin exibia em sessão extra o relato de um ideal comum no auge da crise política no Brasil na década de 60 no documentário Hércules 56. Do lado de lá da fronteira, cores do interior da Argentina mostraram um cinema para além da Buenos Aires tão filmada, em sintonia com as propostas de regionalização das produções discutidas dentro do Fórum Audiovisual Mercosul, pela primeira vez transmitido em tempo real pela internet. Um dos compromissos no desenvolvimento local do setor veio na garantia, firmada pelo secretário estadual de cultura, de honrar os prêmios do edital para o cinema catarinense, que passa a ter lançamento anual em meio à programação da maior tela do Mercosul: o FAM.
2008 A décima segunda edição do FAM exibiu 113 produções, e como ocorre há anos, as sessões ficaram lotadas no Centro Integrado de Cultura. O público se emocionou com homenagens prestadas ao diretor e produtor Roberto Farias, à atriz Julia Lemmertz, e aos catarinenses Gilberto Gerlach, diretor do cinema do CIC e do Cine York, e a Ieda Beck, produtora falecida poucos meses antes do festival. O FAM 2008 conseguiu trazer diretores, produtores e outros profissionais para conversar com a platéia todas as noites antes da mostra de longas. Dois filmes precisaram ter sessões extras para atender o público: o catarinense Doce de Côco, de Penna Filho, e Matar a Todos, do uruguaio Estebán Schroeder. A mostra do cinema finlandês aproximou os catarinenses da cinematografia do país do frio, em 10 sessões acompanhadas pela comitiva finlandesa. Pela segunda vez no festival, foi lançado o Prêmio Edital Cinemateca Catarinense, da Fundação Catarinense de Cultura, no valor de 1,9 milhão de reais. Co-produções entre países foram debatidas no Fórum Audiovisual Mercosul, com transmissão ao vivo pela internet, numa parceria com o Laboratório de Educação a Distância, da UFSC, que inovou também com a transmissão das solenidades de abertura e encerramento. E para incentivar ainda mais as produções, novas premiações foram entregues: Prêmio Aquisição Canal Brasil de Incentivo ao Curta-Metragem, Prêmio Influência Filmes e Focus Filmes para vídeos, Troféu Vivo Audiovisual para curtas 35 mm e premiações do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica de São Paulo (Sindicine) a curtas catarinenses.
2009 A 13 edição do FAM 2009 ultrapassou todos os patamares anteriores: mais de 200 filmes exibidos, 12 países e 13 estados brasileiros representados, o maior número de mostras especiais e um público total estimado em 30 mil pessoas. Realizado pela primeira vez na Universidade Federal de Santa Catarina, teve um auditório principal com 1.400 lugares, em torno de 400 a mais do que os disponíveis na edição de 2008. Apesar da capacidade ampliada, houve fila de espera na Mostra de Longas Mercosul, comprovando mais uma vez o sucesso de público. Em mais cinco auditórios foram exibidas mostras específicas dedicadas à cinematografia do Peru, França, Portugal, curtas latinos e cordobeses.