ENTREVISTA
Aula com o professor da luz
Pedro Pablo Lazzarini / foto Sabrina Zaquiere
Palmas, abraços e troca de e-mails marcaram o último dia do workshop Direção de fotografia, câmera e iluminação, com o diretor de fotografia Pedro Pablo Lazzarini, nesta terça-feira, no FAM 2010.
Foram 150 inscritos e 35 selecionados para os quatro dias de curso, a maioria estudantes de cinema e fotografia.
“É muito interessante dar cursos para estudantes porque a maioria deles nunca teve acesso a equipamentos, por exemplo. Começo com as coisas elementares. Nada de teoria e tudo de prática. Teoria tem nos livros, na faculdade”, disse o diretor de 66 anos. “O menino quer conhecer a câmera, saber como capta a imagem. Está ávido de ver como a câmera funciona, afinal não é todo mundo que tem R$ 5 mil para comprar essa ferramenta”, disse Pedro Paulo, ao final do curso, entre interrupções de alunos e novos amigos.
Moças de 18, 20 anos se despediam do professor com beijos. Perguntado se era muito paquerado nos cursos que dá nos festivais, o professor charmosamente apoiado em sua bengala disse que sim. “É que você é visto como o pai que as alunas queriam ter. A menina que estuda cinema queria que o pai fosse cineasta para trocar idéias, conversar. Já fui em casa de aluno para convencer a mãe que deixasse o filho fazer cinema.”
Jantares em São Paulo, onde vive o diretor ou encontros para apresentar colegas de profissão foram combinados entre o grupo que saiu satisfeito com o professor da luz.
“Ele desmistifica a fotografia para cinema porque coloca a subjetividade como algo muito mais relevante para definir a foto”, observou o estudante de cinema da Unisul, Jardel Cunegatto, 36 anos.
Para aqueles que estão começando na arte cinematográfica, o professor dá um conselho. “Nunca abandonem a idéia. O cinema, não só em Florianópolis, mas no Brasil, é duro de você entrar, conseguir fazer, mas é muito gratificante. É muito legal entrar numa sala e ver mil pessoas batendo palmas para você. Talvez seja algo de egocentrismo que tem todo ator, cineasta”, disse, rindo.
Debate sobre cinema é ponto alto do FAM
O argentino naturalizado brasileiro em 1982 está acostumado a dar workshops e participar de festivais. Ele observou algumas peculiaridades do FAM, evento que freqüenta há sete anos. “O FAM é o único festival que você pode discutir política cinematográfica e ver filmes escolhidos com critérios de filmes artísticos”, observou. “Mas o mais importante é a oportunidade de encontrar e discutir com pessoas de cinema.”
Debater políticas e direitos no audiovisual é uma prática familiar a Pedro Pablo. Ele fundou na década de 1980 e é o atual presidente do Sindcine (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual do Estado de São Paulo). “Fundei por que estava faltando. Toda a sociedade capitalista tem os dois sindicatos, dos trabalhadores e dos produtores”, disse o premiado diretor que assinou a fotografia de filmes como Boleiros 2 e Fuscão Preto, entre outros. “Gosto de mostrar a vida numa tela”, disse Pedro Paulo, a caminho do hotel para assistir ao jogo do Brasil. “Um a zero para o Brasil!”