NOTÍCIA
Faganello prepara nova estratégia para distribuição de longa catarinense
Muamba, de Chico Faganello, estreia no sábado
Uma estratégia diferenciada vai marcar o lançamento em larga escala no Brasil e no exterior do filme Muamba, segundo longa-metragem do diretor Chico Faganello, que vai ser exibido neste sábado, às 21 horas, na Mostra de Longas Mercosul. Os planos para que o filme chegue ao maior número de pessoas num mercado altamente competitivo, dominado por produções estrangeiras e com altos custos de difusão, passa pela segmentação na escolha do público.
Com a experiência de ser dos pioneiros na distribuição independente no Sul do Brasil, quando lançou seu primeiro filme, o Voo Solitário, em VHS na década de 90, e depois percorrendo várias cidades com uma kombi e projetor 16mm, Chico Faganello foi amadurecendo a estratégia do novo filme ao longo do ano passado. Para compreender como colocar o produto no mercado, ainda com o filme inacabado, promoveu uma exibição no marche du film (mercado do filme), em Cannes, e analisou estatísticas e estratégias recentes durante o American Film Market, de Los Angeles.
O que ouviu de vários representantes da indústria confirmou o que tinha sido planejado antes mesmo das filmagens. "O filme vai ter uma distribuição independente, maior e com diferentes parceiros", diz Chico. "Quando ganhamos o prêmio do edital estudamos a opção de buscar mais recursos, que poderiam garantir a entrada de um co-produtor internacional, ou de um elenco famoso, ou uma distribuidora internacional", lembra. "Mas essas negociações levariam tempo, o contrato do prêmio obrigava a entregar o filme um ano depois. Assim, optamos por cumpri-lo", completa.
O filme foi realizado com 900 mil reais, ou pouco mais de 400 mil dólares. Apesar do baixo orçamento, o diretor não reclama. "Foi uma decisão relacionada às características do projeto", conta, registrando que foi utilizada a mais alta tecnologia de som e imagem disponível. "Eu acredito que não é o orçamento que faz um bom filme, mas sim as pessoas", considera.
Até o final do ano Faganello planeja ocupar as salas de cinema em cidades onde está o público que gosta desse tipo de filme mais autoral. E junto com uma versão para televisão, DVD, vem a jogada mais arriscada, distribuição para novas mídias. "Tudo isso envolve reedição e adequação", conta o diretor, que também fez uma tese de doutorado sobre estratégias para alcançar o público.
"Todo mundo pode fazer um filme com o telefone celular e botar no YouTube. Isso é muito fácil, mas não significa estratégia de distribuição e nem perspectiva de retorno", analisa Faganello, que vem desenvolvendo uma possibilidade de distribuição animadora e não restrita a um só modelo de negócios. "Janelas diferentes e mercados diferentes exigem parceiros diferentes", defende.
Quatro novos filmes deverão ser lançados até o final do ano pela distribuidora independente que Chico Faganello está montando pela internet (veja o site http://www.faganello.com/). "Até agora testamos o ambiente com DVDs e estamos estudando uma plataforma para a internet. Estamos bem animados", conta ele.
Muamba já tem garantida a distribuição em DVD e na internet, e espera definições da Ancine – Agência Nacional do Cinema – para o mercado das salas. Em 2011 estará disponível para TVs aberta e a cabo.