NOTÍCIA

Entidades buscam saídas para ampliar produção independente

As emissoras afiliadas às cabeças de rede no Brasil precisam ser beneficiadas com os recursos previstos no artigo 36 da Medida Provisória 2228-1/2001, condição essencial para o incremento das produções independentes regionais. Esse e outros temas serão discutidos no II Encontro das Entidades do Audiovisual do Sul, na segunda e terça-feira (dias 14 e 15), das 9 às 12 horas na Sala Aroeira do Centro de Cultura e Eventos da UFSC. O evento que integra o 14º FAM tem na pauta a criação de um circuito popular independente de cinema, fundos setoriais regionais e de Funcines locais.

Segundo Bhig Villas Boas, do Santacine, o citado artigo 39 na prática concentra a produção independente no eixo- Rio-São Paulo, pólo beneficiada com os recursos de impostos sobre a compra de eventos esportivos e programas internacionais. Isso porque a legislação destina estes auxílios somente às emissoras cabeças de rede das TVs abertas e TVs a cabo estrangeiras no país, excluindo do incentivo as parcerias regionais das afiliadas com a produção independente local.

"Precisamos pensar numa saída para esta situação, a criação de um mecanismo que atenda à produção independente das outras quatro regiões do país", destaca Villas Boas. "Não confundamos esta colocação como um ataque ao artigo 39. Ao contrário, este mecanismo não apenas garante recursos para a produção independente, como incentiva sua aproximação com as emissoras de televisão. Em longo prazo, cria-se uma cultura de parceria entre as partes", esclarece.

A representação catarinense vai defender a criação de um circuito popular independente de cinema, ocupando sobretudo os espaços deixados de lado pelo circuito hoje existente (restrito a 8% dos municípios brasileiros). "O que se propõe aqui é a mudança do paradigma atual. Acreditamos que nossos filmes nesse circuito possam, a médio prazo, se pagar", salienta Bhig.

Integra a pauta do Encontro a criação de fundos setoriais regionais, idéia que vem sendo amadurecida desde o último Festival de Gramado e que pode ganhar um reforço no evento.  Será debatida ainda a estruturação de Funcines locais, ou seja, "fundos com um perfil mais favorável ao audiovisual do Sul ou a cada Estado". Nesse caso, será preciso construir um formato específico, "mapeando instituições financeiras locais, bancos de fomento e empresas regionais e, na área governamental, abrindo negociações com prefeituras e o Governo do Estado".

Outros assuntos importantes vão ter espaço no Encontro, como a situação da TV Brasil. Destaque ainda para o Projeto de Lei nº 29/2007, que dispõe sobre a organização e exploração das atividades audiovisuais. A iniciativa tramita a três anos no Congresso Nacional e ainda não existe uma redação final que satisfaça os inúmeros envolvidos no setor.