
A preservação da memória cinematográfica e a discussão dos novos rumos do cinema brasileiro são a finalidade de duas revistas apresentadas no FAM, a Cadernos de Pesquisa, do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB), e a Filme Cultura, do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.
Myrna Brandão, presidente do CPCB, lembrou que a edição dos quatro números dos Cadernos de Pesquisa, a partir dos anos 80, ocorreram graças ao empenho de José Tavares de Barros, um dos fundadores da instituição, que morreu o ano passado. Num esforço conjunto de pesquisadores, o CPCB conseguiu editar um número especial da revista, dedicado a ele, com patrocínio da Petrobras e incentivo do Ministério da Cultura.
Carlos Brandão, diretor do CPCB, disse que a revista é tão importante para a memória cultural do país quanto os filmes. "Aqui estão as expostas as ideias, os roteiros, a evolução do pensamento da preservação fílmica. Preservar nossa memória é questão de soberania, porque de outra maneira, memórias de outros países, com maior poder de fogo de comunicação, prevalecerão sobre a nossa".
O casal participa do FAM desde sua segunda edição. Todos os filmes restaurados pelo CPCB foram lançados no Sul do Brasil durante o FAM. Myrna lembrou que A hora da Estrela, de Suzana Amaral, que está em restauração, terá lançamento nacional no FAM 2011.
Joana Nin, Letícia Friedrich e Rosângela Sodré, do CTAv, apresentaram o projeto de retorno da Filme Cultura, a revista sobre cinema editada durante o maior período no Brasil, 22 anos, entre 1966 e 1988.
O projeto inclui a edição do número 50 da revista, dois volumes da coleção histórica com 48 edições anteriores da revista em fac-símile, microfilmagem das edições antigas e o site www.filmecultura.org.br, onde podem ser lidas todas as edições e baixadas em pdf. O projeto foi viabilizado numa parceria entre o CTAv e o Instituto Herbert Levy, com patrocínio da Petrobras por meio da Lei Rouanet.
Joana Nin, editora executiva da revista e à frente do projeto, apresentou em primeira mão os dois grossos volumes da bela coleção histórica, que serão lançados oficialmente em 1º de julho, no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro.
A publicação será trimestral e outras quatro edições serão lançadas até abril de 2011, voltadas principalmente ao cinema contemporâneo brasileiro. A revista é vendida a R$ 5,00, preço subsidiado graças ao incentivo da Lei Rouanet. Joana Nin lembrou que existe a intenção de que a revista tenha continuidade. "Por isso precisamos e dependemos da divulgação feita por todos e do feedback para que consigamos aprimorar e ter essa continuidade".