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Mostra de vídeo abre com cinco fortes concorrentes


Direita é a mão que você escreve
A Mostra de Vídeos do FAM 2010 abriu neste sábado com cinco concorrentes e um convidado. No total, 36 vídeos participam até quinta-feira, dia 17, da mostra competitiva do 14º Florianópolis Audiovisual Mercosul.
Temas como solidão, loucura, inocência e malandragem foram explorados com competência pelos realizadores que inauguraram a mostra. Mas a obra que recebeu mais aplausos do público foi o documentário Pré-socráticos x Indígenas, de Jorge Bodanzky, um tocante registro do trabalho de preservação da cultura dos povos do Alto Solimões, no Amazonas, que, como convidado, não participa da competição.
O documentário foi realizado durante uma oficina de vídeo dada durante um curso de preparação de professores indígenas. Além de aprender a lidar com as câmeras, os índios Ticuna registraram o trabalho feito para preservar a sua língua e a sua cultura, com aulas de filosofia e história. Na parte final, foi filmado um jogo de futebol com um grupo de índios representando os filosofos da antiga Grécia (Tales de Mileto, Demócrito, Pitágoras) e outro os filósofos indígenas, os sábios da terra. Como disse um indígena no encerramento do vídeo: "O povo Ticuna precisa viver para sempre. Se o povo Ticuna desaparecer, o mundo do branco também acaba".
Dirigido por Juliana Panini, de São Paulo, Em casa trata com sensibilidade o tema da solidão sem precisar de diálogos. A interação entre os dois personagens, o homem que vive solitário (Rafael Raposo) e a invasora (Conceição Sena) que vive escondida no armário de um quarto vazio e aproveita a sua ausência para ocupar a casa, se dá pelo sentimento que aos poucos os vai envolvendo, embora eles nunca se encontrem.
Baseado no conto A Janela Vedada, do escritor norte-americano Ambrose Bierce, o vídeo Uma canção de dois humanos, do carioca Giovani Barros, fala da loucura de um amor perdido e do terror que os fantasmas de uma relação sufocante provoca. Também sem diálogos, o vídeo é bem conduzido pela atuação de Rodrigo Jubelini.
Estrelado por Bárbara Paz e com participação do desenhista e escritor Lourenço Mutarelli, 3:33, da paulista Sabrina Greve, igualmente tematiza a loucura, a partir da inadaptação à vida real de uma ex-paciente de uma instituição mental. A atriz global Bárbara Paz também tem uma atuação destacada, encontrando o tom certo que exigia a personagem.
As aventuras de uma distraída pequena bailarina num bairro da periferia do Rio de Janeiro são narradas em um tom leve mas comovente em Direita é a mão que você escreve, da carioca Paula Santos. A menina interpretada por Valentina Herszage se perde pelas ruas após ser esquecida pelo pai depois da aula de balé e encontra pessoas que mais a atrapalham que a ajudam até encontrar por conta própria o caminho de casa.
Em um tom de comédia, o vídeo gaúcho Os batedores, de Filipe Ferreira, tambpém muito aplaudido pelo público, conta como um punguista (o bom ator Marco Soriano Jr.) faz pagar uma dívida de R$ 30 mil reais com um chefão do submundo em uma tarde. O ambiente da malandragem, dos agiotas, dos pequenos larápios, é descrito com humor e em um ritmo que beira o frenético.