
À tarde de domingo foi de nostalgia para plateias com mais idade e de encontro das mais novas com uma forma de fazer cinema brasileiro já extinta. Foram exibidos os dois últimos filmes da mostra comemorativa da Cinédia, produções elegantes em preto e branco, com números musicais e histórias ingênuas. A sessão começou com O Samba da Vida, de 1937, dirigido por Luiz de Barros, e continuou com 24 Horas de Sonho, de 1941, do cineasta português Chianca de Garcia.
As sinopses originais contextualizam o clima:
O Samba da Vida: Um ladrão vulgar, acompanhado de dois cúmplices, ao penetrar num palacete para roubar, tem a surpresa de encontrá-lo desabitado. Os seus proprietários tinham ido passar uma temporada em Buenos Aires. Isso ele sabe por intermédio de uma carta endereçada a um senhor de Goiás que ficou esquecida sobre um móvel. Essa inesperada oportunidade desperta no ladrão o desejo de se aboletar com sua família no palacete, o que sem demora é feito. A chegada do homem de Goiás veio proporcionar uma série de situações interessantes que terminaram com a chegada do dono do palacete. Com o regresso deste presume-se que a situação vai tomar um rumo difícil e complicado para o ladrão.
24 Horas de Sonho: Conta-nos as peripécias de uma pequena decidida a pôr termo à vida e aproveitar até a última gota seus últimos momentos de existência. Instala-se num luxuoso hotel sob o nome suposto de uma baronesa. Compra a crédito toilletes faustosas, arranja um flirt e... deixa a vida correr. Como pano de fundo uma aristocracia européia de verdade, hospedada no hotel, vítima da Segunda Guerra.
Em 24 Horas de Sonho foi utilizada pela primeira vez música incidental num filme brasileiro. Como figurantes, a produção aproveitou um grupo de refugiados poloneses da Segunda Guerra que estava hospedado no hotel onde foram feitas as filmagens.
"Nunca tinha assistido chanchada, a direção de arte me surpreendeu", disse Karine Joulie, estudante de cinema da UFSC. A artista plástica Jane Flores de Araújo assistiu os dois filmes da tarde e achou a experiência maravilhosa. "São filmes brejeiros, têm ingenuidade e uma sem-vergonhice boa que caracteriza o povo brasileiro. Foi fantástico".