NOTÍCIA

O frio domina a segunda noite dos curtas


Lia de Itamaracá em Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho
A improvável ocorrência de temperaturas baixas na tropicalíssima capital pernambucana transformou Recife Frio no favorito do público na segunda noite da Mostra de Curtas Mercosul do FAM 2010. Ao lado de Inverno, filme do gaúcho radicado em Santa Catarina Paulo Trejes, que também foi escolhido na votação da plateia para ser exibido nesta terça-feira no DAC, a partir das 12h15min.
O filme do pernambucano Kleber Mendonça Filho, que não pôde comparecer ao FAM por estar produzindo o seu primeiro longa-metragem, é um bem-humorado documentário ficcional narrado por um pretenso jornalista argentino que vai investigar a estranha mudança climática ocorrida no Recife após a queda de um meteorito na praia. Sete meses depois, as temperaturas se mantêm abaixo dos 10 graus centígrados e a chuva e as nuvens permanecem constantes na outrora ensolarada Veneza brasileira.
Arrancando muitas risadas da plateia, o curta capta a mudança no cotidiano da população encasacada do Recife: dos moradorres de rua que morrem de frio aos artesões que agora colocam roupas quentes em suas típicas figuras de barro, das família de classe média alta que abandonam seus arejados apartamentos na Praia de Boa Viagem ao hoteleiro francês que deixa de receber os turistas europeus porque, ao invés do sol, aparecem pinguins em frente à sua pousada,
dos repentistas que cantam o frio na beira do Capiberibe à famosa cantora Lia de Itamaracá, que comanda a sua ciranda na praia a 5 graus.
Premiado melhor diretor do Festival de Maringá, Paulo Trejes apresentou uma sensível e bem realizada história de duas amigas que vêm suas vidas de maneira radical após um acidente automobilístico, com belos efeitos especiais, uma ótima trilha sonora e contando com a participação de três ótimas atrizes: Fernanda Machado (Paula), Milena Toscano (Ana Lúcia) e Cristina Prochaska (mãe de Ana Lúcia). Depois de um ano do acidente, Paula ainda se sente culpada por ter deixado a amiga Ana tetraplégica e se isola em uma casa à beira da praia no Sul do país. Ana Lúcia vai encontro dela e a reaproximação das amigas acaba por exorcizar esse sentimento de culpa e fazer nascer uma outra emoção entre as duas.
Representante do Espírito Santo, Insano Jazz, de Hélio Coelho, coloca a música em primeiro plano e utiliza os grafismos apresentados em um ritmo frenético para ilustrar essa trilha sonora. Já o paulista O nome do gato, de Pedro Ribeiro Coutinho, estrelado pela ótima atriz Camila dos Anjos, narra os estranhos acontecimentos em um apartamento alugado por uma jovem tímida e romãntica. Num tom que se situa entre o surreal e o terror, o filme traz interessantes imagens e uma breve participação do ator catarinense Nei Piacentini, embora o final seja um pouco previsível.