
Sua trajetória se confunde com a consolidação do Festival de Gramado, no Rio Grande do Sul, sendo o grande incentivador e primeiro presidente do Fórum dos Festivais Audiovisuais, criado em abril de 2000 na cidade do Recife-PE. Seu nome, Esdras Rubim, o grande homenageado na noite de domingo no 14º FAM.
A homenagem se estendeu a outros pioneiros do Fórum, chamados junto com Esdras ao palco – Antonio Leal, Sandra Bertini, Alfredo Bertini, Zita Carvalhosa, Mario Parente e Celso dos Santos, coordenador geral do FAM, todos presentes no ato de criação em 2000. Foi uma solenidade curta, mas carregada de emoção e com o auditório Garapuvu lotado. O personagem principal foi apresentado num vídeo curto com depoimentos sobre seu trabalho.
Nascido em Vitória e radicado desde 1970 no Rio Grande do Sul, ex-vereador chamado a dirigir o setor de Cultura e Turismo de Gramado-RS, assumiu a responsabilidade por um festival anual de cinema criado em 1973, o Festival de Gramado. Foi o protagonista da consolidação do evento ao longo de 13 edições, entre 1978 e 2000, com pequenos intervalos em que esteve afastado. Esdras Rubim chegou cedo ao Centro de Cultura e Eventos da UFSC e pôde comentar um pouco de sua trajetória, especialmente a criação do Fórum dos Festivais.
Ao ser criado, o Fórum reunia 17 festivais e hoje congrega mais de 60 dos cerca de 200 realizados no Brasil. Entre os desafios estão garantir aos eventos o direito a 100% de recursos pela Lei Rouanet, e não apenas de 70% como acontecia. Houve um esforço para a definição de perfis dos diferentes festivais de audiovisual, além de ser equilibrado o calendário para evitar coincidências de datas. "O próprio FAM acontecia simultaneamente com outras iniciativas de divulgação da produção audiovisual brasileira e isso foi corrigido", exemplifica Esdras.
O gargalo da distribuição
Esdras aponta a distribuição como o grande entrave da produção audiovisual brasileira. Filmes em quantidade e qualidade suficientes existem, mas o mercado exibidor no Brasil e em quase todo o mundo "é dominado e manipulado pelas grandes empresas produtoras norte-americanas, as majors, através da Motion Pictures Association (MPA), em detrimento das produções nacionais".
No caso do Brasil a situação se agravou com o fim da Embrafilme por decreto, em 1990, assinado pelo ex-presidente Collor de Mello. Na época funcionava a Embrafilme Distribuidora de Filmes S/A, estimulando a produção de cerca de 100 filmes por ano nas décadas de 1970 e 1980. "Chegaram a ser abertas umas 100 salas de cinema no país pela Embrafilme Distribuidora, mas por causa das pressões da MPA, a iniciativa não deu certo".
Os cinemas no Brasil são obrigados a projetar produções nacionais durante 32 dias por ano, cerca de 10% do calendário total. Muitos filmes, entretanto, obtêm boas médias de bilheteria, mas não permanecem em cartaz além do tempo mínimo exigido por lei. "Esse problema é mundial e bastante dramático no caso da Espanha, onde o percentual de distribuição no mercado consumidor não chega a 12%".