Notícias

Notícias

04.06.2011

Máfia e metalinguagem em Pompeya

Melhor filme argentino da 25ª edicão do Festival de Mar del Plata (realizado em novembro do ano passado), Pompeya, da cineasta Tamae Garateguy, que será apresentado na Mostra de Longas Mercosul durante o FAM 2011, conquistou a crítica e o público por sua bem dosada mistura de crueldade e bom humor. Para retratar a violenta guerra entre dois grupos mafiosos – um russo e um coreano – pelo controle de um bairro da periferia de Buenos Aires, a diretora lançou mão de um roteiro muito bem elaborado (em parceria com Diego A. Fleischer) que pega o espectador tanto pela história quanto pela edição de imagens fortes, arrebatadoras, cínicas.

Pompeya se acerca do deboche ao fazer com que a narrativa seja contada por um diretor, um roteirista e um aprendiz cinema que tentam criar um filme de sucesso enquanto a ação transcorre, simultaneamente, em um plano paralelo. A metalinguagem explícita evidencia uma bem arquitetada crítica ao cinema de entretenimento, enquanto Garateguy, que antes de Pompeya havia codirigido (com Santiago Giralt, em 2006) o premiado Upa! Una película argentina, explora ao máximo as potencialidades de seus atores – o intérprete do clã coreano, Chang Sung King, recebeu o prêmio de melhor ator em Mar del Plata.

Muito mais que apenas um filme de mafiosos, Pompeya inova não só pela temática pouco explorada na filmografia do Cone Sul, mas pela qualidade técnica dos efeitos de maquiagem nas cenas de violência – obra de Cez Navotka – e das bem coreografadas cenas de luta. A galeria de personagens e intérpretes é, também, um caso à parte na cinematografia argentina: O protagonista Dylan é levado às telas pelo jovem ator José Luciano González, que lidera com os irmãos (Hernan Bustos e Fede Lanfranchi, interpretando um surdo) a gangue de capangas dos russos. A perversão em toda a sua inconsequência é encenada por Juan Manuel Tellategui, que faz o mimado e drogado Alex, filho do chefe da máfia russa, sempre em companhia de sua namorada, vivida pela bela Jazmin Rodriguez, tão alucinada quanto ele.

Filme de arte ousado e experimental, Pompeya deverá agradar o público do Florianópolis Audiovisual Mercosul na mesma medida em que surpreendeu e conquistou os espectadores argentinos.
 

voltar