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01.07.2011
Coprodução internacional: entrevista com o produtor Beto Rodrigues
O produtor Beto Rodrigues possui um papel destacado no que se refere à coprodução internacional com os países do Mercosul. Sócio da produtora gaúcha Panda Filmes, Beto também é professor do curso de Realização Audiovisual da Unisinos e ocupa a presidência do Sindicato da Indústria Audiovisual do Rio Grande do Sul.
No FAM 2011, Beto coproduziu o longa-metragem uruguaio Reus e o filme argentinos La Vieja de Atrás, ambos exibidos na Mostra Longas Mercosul.
Nesta breve conversa, ele fala sobre os principais desafios da coprodução do Brasil com os países latino-americanos.
Pergunta - Como você começou a trabalhar com produção de cinema?
Beto Rodrigues - Eu me formei Universidade Federal do Rio Grande do Sul na década de 80 e em 89 eu fiz meu primeiro curta. Comecei elaborando roteiros, produzindo e dirigindo documentários. A verdade é que a produção é uma imposição do mercado. No final das contas você é obrigado a ser produtor. Você abre uma produtora e o mercado exige que você se responsabilize pela produção.
Pergunta - E naquela época você já conseguia viver de cinema?
Rodrigues - Não, muitos poucos sobreviviam de cinema. Foi uma época de aprendizado. Foi bem a transição do trauma do governo Collor e do fim da Embrafilme. Eu tinha um cargo na área de cinema na prefeitura de Porto Alegre e com o tempo disponível comecei a produzir.
Pergunta - Como você começou a realizar coproduções internacionais?
Rodrigues - Bom, em seguida eu fiz uma pós-graduação em cinema na Espanha e isso ampliou minha visão de mundo. Comecei a ver como eles faziam já que ali havia uma grande integração entre os países na área audiovisual. E voltei com essa ideia, para buscar acordos de coprodução.
Pergunta -Quais os maiores desafios da coprodução na América do Sul?
Rodrigues - O Brasil tem acordo de corprodução com vários países, mas as políticas entre os países não são as mesmas. As regras são diferentes e esse processo todo ainda está engatinhando. Ainda não está consolidado.
Pergunta - E por que isso acontece?
Rodrigues - É um erro estratégico de política. Não dão a devida importância ao setor audiovisual e o tratam como secundário. Esquecem que são as imagens do país e da identidade cultural de um povo.


