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O diretor Gustavo Pizzi e atriz Karine Teles apresentaram o filme no FAM/Daniel Guilhamet

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30.06.2011

Linguagem e poética de Riscado atraem o público do FAM

Riscado, longa de quarta-feira, dia 29, pode ter uma história comum, uma mulher que batalha para vencer na vida profissional, mas está longe de provocar uma sensação de algo já visto. O primeiro longa de ficção de Gustavo Pizzi é um filme poético, sem fórmulas prontas e com uma linguagem singular. Não à toa, seduziu a plateia do FAM.

Bianca (Karine Teles) é uma atriz que faz bicos para sobreviver, trabalha fantasiada entregando flyer na rua para divulgar festas e estabelecimentos comerciais, anima eventos vestida de Marilyn Monroe, funções que não tem nada a ver com a atriz que trabalha sério em uma peça e se esforça para ter uma oportunidade para mostrar seu talento.

A câmera segue Bianca a todo o momento, como se quisesse revelá-la mais do que é possível. A troca de câmeras, de 35mm para 16mm, em alguns momentos até com efeito da Super 8, parece suspender o tempo em alguns trechos mais íntimos e reflexivos, criando como se fossem momentos paralelos, como flashbacks, porém sem serem do passado, mas sim da intimidade da personagem.

As cores vibrantes, algumas próprias do figurino de Bianca, também causam sensações, assim como a trilha sonora pontua a emoção de maneira delicada. Um recurso usado por Pizzi é de avançar a cena, com os resquícios de som e diálogos da cena anterior, dando uma velocidade diferente à narrativa.

O filme é suave e a história soa natural. É um tanto triste e dá para sentir a inquietação da personagem desde o começo, possivelmente porque é comum a todos, independente de profissão e carreira. Enfim, Riscado tocou quem resistiu à noite fria e chuvosa da última quarta-feira, dia 29.
 

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