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A diretora argentina Tamae Garateguy / foto Sabrina Zaquiere

Entrevistas

01.07.2011

O gosto por experimentar os gêneros

Tamae Garateguy, 37 anos, jovem diretora do longa-metragem argentino Pompeya, atração da penúltima noite do 15º Florianópolis Audiovisual Mercosul, acredita que a nova geração de cineastas latino-americanos está gostando de explorar o cinema de gênero. Essa experimentação pôde ser observada no último Festival de Mar del Plata, onde Tamae ganhou o prêmio de melhor filme argentino. Nesta entrevista ela fala sobre sua participação no FAM, sobre os filmes que assistiu em Florianópolis e sobre a aventura de filmar Pompeya.

Pergunta - Com exceção do filme de Eliseo Subiela (Rehén de Ilusiones), os longas exibidos no FAM foram feitos por jovens diretores. O que você acredita que caracteriza esse novo cinema latino-americano?
Tamae Garateguy -
Creio que os novos cineastas perderam o medo de experimentar o cinema de gênero. Pompeya é um filme sobre o fazer cinema, e também sobre a máfia. Em Mar del Plata, onde fomos premiadas, também foram exibidos um western gaucho (Aballay, el hombre sin miedo, de Fernando Spiner) e uma comédia negra (Antes del estreno, de Santiago Giralt, com quem Tamae filmou UPA! Una Película Argentina, em 2007). Aqui no FAM, pudemos ver um filme uruguaio (Reus) que trata de questões muito parecidas com a do nosso filme, fala sobre um bairro, violência, gangues. E o cinema de gênero exige certas regras, mas também nos dá a liberdade de usarmos os seus referentes. O belo filme brasileiro exibido ontem (quarta), Riscado, também de certa forma dialoga com o nosso, quando fala do fazer cinema. Vir ao FAM é uma oportunidade única de poder conversar com outros cineastas, trocar ideias com gente que produz em outros países. Estou encantada com a hospitalidade das pessoas.

Pergunta – Por quê você escolheu um tema como a máfia, e qual a relação com o bairro de Pompeya?
Tamae –
Eu sempre gostei de filmes sobre máfia, como O Poderoso Chefão, os Bons Companheiros, isso que Coppola e Scorcese fazem tão bem. E Pompeya é um bairro muito arquetípico de Buenos Aires, um bairro que tem muitas casas de tango, mas também muito perigoso. Muitos dos personagens malvados de Jorge Luis Borges eram de Pompeya.

Pergunta – Quanto custou Pompeya? Como foi o processo de elaboração do filme? E como foi a recepção por parte do público na Argentina?
Tamae –
Foi muito difícil captar recursos para o filme. Dizíamos que pretendíamos faer um filme sobre a máfia e as pessoas riam de nós. Sempre começo a filmar sem roteiro, pego alguns personagens e gravo algumas cenas. Então eu peguei o nosso capo da máfia coreana (o ator Chang Sung King, premiado em Mar del Plata por sua atuação) e fizemos algumas cenas típicas do gênero, dele com os capangas. Com isso em mãos, fomos procurar investidores e apoiadores. Mas, na verdade, foi apenas depois que ganhamos em Mar del Plata que conseguimos reunir, no total, algo em torno de 500 mil dólares. Somente assim é que pudemos pagar todos os que trabalharam no filme. Pompeya ainda não estreou oficialmente na Argentina, planejamos fazer isso de setembro a novembro. O problema é que 90% das salas de exibição são ocupadas pelos filmes de Hollywood. Mas o nosso filme é pequeno, não precisamos muitas salas.
 

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