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É a segunda vez no FAM do diretor Guillermo Planel/Michele Diniz

Entrevistas

01.07.2011

Outro olhar sobre as favelas, entrevista com Guillermo Planel

O fotógrafo e jornalista independente Guillermo Planel vê por meio do fotojornalismo popular a realidade das favelas do Rio de Janeiro em Vivendo um Outro Olhar. Exibido na Mostra Doc-FAM de quinta-feira, dia 30, o longa documentário traz uma velha, mas sempre atual discussão sobre a imagem das comunidades vistas por elas mesmas, em contrapartida com a retratada pela grande mídia.

A produção, aplaudida após a exibição, intercala depoimentos de fotógrafos do país, alguns bem conhecidos, com pessoas na comunidade, inclusive também fotógrafos, com imagens clicadas em diversas situações, desde os conflitos, os crimes, mas também a vida da comunidade. Nesta entrevista, Planel fala sobre o filme rodado em mais de 20 favelas do Rio, entre o Complexo do Alemão, favela da Maré, entre outras, antes da realidade das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

Pergunta – De que experiência sua nasceu Vivendo um Outro Olhar?
Guillermo Planel –
Nasceu de um desdobramento de um filme Abaixando a Máquina, que já esteve no FAM, e que faz um debate ético sobre o fotojornalismo e a relação aos conflitos armados. Este agora fala do ponto de vista de como a favela se vê a si mesmo, com seus crimes, conflitos. A sociedade só vê aquilo como um local de anarquia, mas não é assim. No Rio de Janeiro, você pensa, são 1.052 favelas o que dá quase 30% da população do Rio. Não é uma dúzia de pessoas, é um processo de uma cidade.

Pergunta – O documentário tem uma forma interessante de construção de narrativa, com depoimentos e imagens de fotógrafos bem conhecidos, como Walter Mesquita, João Roberto Ripper, ao lado de fotógrafos da favela como Tony Barros. Como você pensou nessa forma de contar essa história?
Planel –
Toda essa discussão eu vejo a partir do fotojornalismo, sobre essa falta de perspectiva nas favelas que a mídia só faz piorar. Mas a gente trabalha nessa desmistificação, de que não favela não é só criminalidade e nem todo o jornalista está procurando o baldo de sangue. Tem sim fotojornalista que só se interessa por crime nas comunidades, mas tem outros que, inclusive trabalham na grande mídia, mas não compactuam com a visão, fazem trabalhos sociais, tem suas militâncias. O problema é que a grande mídia não tem mais espaço para as questões populares. De um lado a imprensa se afastou da comunidade e a favela recrudesceu em relação à imprensa. Esse paradoxo também ocorre com os policiais, a maioria é das favelas e da mesma classe, na verdade eles estão se guerreando entre si mesmos.

 

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