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15.06.2011
O monge errante de Astheros, de Ronaldo dos Anjos
O diretor catarinense Ronaldo dos Anjos lança Astheros na Mostra de Curtas Mercosul do FAM, no dia 25, curta-metragem baseado no conto O Monge Astheros, do escritor e atual presidente da Academia Catarinense de Letras Péricles Prade, com diálogos do livro inédito As Horas, do escritor Onor Filomeno. É o segundo trabalho em película de Ronaldo e pretende constituir uma trilogia que começou com O Santo Mágico (2002).
Astheros conta a história de um monge errante, que entra em um circo mambembe como administrador. Na primeira noite de espetáculo, na lona montada em uma pequena aldeia, ninguém comparece, porém o monge decide fazer sua apresentação. Algumas pessoas ouvem além da lona e a fala corre o pequeno vilarejo. O fato gera a curiosidade e povo insiste por uma nova apresentação
Ronaldo é jornalista de formação e atualmente é administrador do MIS (Museu da Imagem e do Som). É diretor de vídeos de ficção e documentário, como Viva o Circo – Um Vídeo Mambembe, premiado no Festival Nacional de Vídeo de Gravatal em 1989. Com Bom Dia, ganhou melhor cenário no Festival Guarnicê de São Luís do Maranhão.
FAM. É interessante em Astheros a união de dois textos, um do Péricles Prade e do Onor Filomeno. Você tem também bastante ligação com a literatura.
Ronaldo dos Anjos. O Monge Astheros são contos descritivos sem muitos diálogos, então o livro do Onor complementou. Foi um casamento de ideias do contista, que é de um realismo fantástico, com os diálogos do escritor Onor. Em O Santo Mágico trabalho com um texto do Harry Laus, uma história de pescador que se passa em Porto Belo. A trilogia, que fechará com Demônio - sempre precisa de um antagonista - tem foco na literatura catarinense
FAM. Sobre o que Astheros trata?
RA. É uma história atemporal, que pode se passar 2 mil anos atrás ou 2 mil anos à frente. Tudo na verdade fala da condição humana, a busca do homem de uma coisa além, de desvendar os mistérios, das condições primordiais e existenciais, de quem eu sou, de onde vim, para onde eu vou.
FAM. Qual é a linguagem do curta?
RA. Não sei se foi prêmio ou castigo, mas queria dar um clima mais denso, que o texto tem, e filmamos justamente durantes a chuva em 2008, quando deu as enchentes no Estado e caiu barreiras nas estradas. Então foi um clima sem sol, fechado, que contribuiu com o que eu queria. Tinha cenas de chuva e nem precisei de um caminhão pipa. Também quis dar uma cor e uma textura com referência ao filme A Viagem do Capitão Tornado, que tem um pouco do realismo fantástico do meu trabalho,.
FAM.
Quem são os atores?
O protagonista é o Celso Frateschi e para o antagonista, um palhaço que desconfia que o monge é um manipulador, convidei o Nei Piacentini, um ator catarinense que era do Grupo A de Teatro e hoje está no Grupo Latão em São Paulo. De Florianópolis tem Antonio Cunha, Zeca Ramos, Zica Vieira, Eliane Carpes, Raquel Bonotto e Luiza Lorenz, alguns atores do Grupo Armação, e tive mais ou menos 80 figurantes.
FAM. Onde foi rodado Astheros?
RA. Alugamos um sítio em Ratones e construímos uma cidade cenográfica, com a direção de arte de Neno Brasil e cenografia do artista plástico Rafael Rodrigues. Reaproveitamos materiais, ficou meio Mad Max, com sucatas do futuro.
FAM. Astheros foi realizado com prêmio?
RA. É Lei Rouanet com o Funcultural (Fundo de Incentivo a Cultura do Estado de Santa Catarina), antes Seitec, com apoio da Eletrosul, SC Parcerias, Casan, BRDE, Supermercado Giassi e Badesc.
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