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04.06.2011

O que há por trás das fachadas coloridas de Reus

Coprodução da uruguaia Sueko Films com a produtora brasileira Panda Films, Reus, filme dos uruguaios Eduardo Piñero e Alejandro Pi, fechou, no mês de março deste ano, o Festival de Punta del Este, onde foi exibido pela primeira vez. O filme tem uma ligação especial com Florianópolis, onde ele será apresentado na Mostra de Longas Mercosul do FAM 2011, pois começou a ser escrito na Capital catarinense na época em que Piñeiro aqui trabalhava, mais precisamente na Praia da Joaquina (leia entrevista com o roteirista e produtor Pablo Fernández).

Reus é um bairro de Montevidéu que se destaca por sua arquitetura modernista e por suas residências pintadas cada uma de uma cor diferente, um ambiente incomum que se diferencia da sobriedade panorâmica do restante do país. A fachada de suas edificações foram remodeladas principalmente por operários e artistas italianos, em meados do século 20, dentro do conceito de spiritu urbis. Atualmente, é ocupado por famílias de classe média e média-baixa, além de um elevado percentual de população judia.

O bairro deve seu nome ao empresário espanhol Emilio Reus, nascido em Madrid em 1858, que se encarregou de construir residências que seriam destinadas a então crescente classe operária, em um projeto que ocupou 66 hectares e no qual trabalharam 1,5 mil pessoas. Suas obras na capital uruguaia o tornaram famoso e marcaram um período na arquitetura do país que ficou conhecido como a “época de Reus”.

No filme criado pelos três amigos que dividem entre si as funções de direção, roteiro e produção (Eduardo, Alejandro e Pablo), a história trata da briga de duas famílias pelo poder nas ruas de Reus e das mudanças que a disputa provoca na vida dos vizinhos. Uma morte e a chegada de uma nova droga (o crack) quebram os códigos de ética em que se baseava o bairro. Os jovens delinquentes (Tumanes) e os comerciantes judeus começam a se enfrentar e o conflito que se instala na localidade toma proporções incontroláveis. No elenco estrelado pelo ator argentino Camilo Parodi destacam-se ainda os uruguaios Micaela Gatti, Alberto Acosta, Walter Achandy, Gabriel Villanueva e o argentino, radicado há décadas em Porto Alegre, Nestor Monasterio.
 

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