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Além do FAM, Zé participa de festivais como o CinePE e o Cine Ceará / foto: Marx Vamerlatti

Entrevistas

23.06.2011

O montador de cinemas

A tela é erguida enquanto José Luis de Almeida, o Zé, anda de lá para cá orientando a equipe antes de ajustar o som e as imagens que vão tomar conta do auditório do Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) 2011.
Engenheiro de projeção há 37 anos, José Luis de Almeida trabalha nos principais festivais de cinema do Brasil.
Para ele, é fundamental o trabalho rigoroso para garantir ao espectador a melhor experiência cinematográfica possível.


Pergunta - Como surgiu a oportunidade de trabalhar com projeções para cinema?
José Luis de Almeida -
Acho que essas coisas surgem logo na infância. Meus amigos diziam que eu era louco Eles nunca entenderam essa vontade de projetar cinema. Eu fiz Engenharia e arrumei um emprego na Kodak, em São Paulo. Foi assim que comecei a ir para festivais de cinema de todo o Brasil pela Kodak.

Pergunta - O senhor faz parte da equipe do FAM desde que o festival começou, em 1997. Como foi a evolução das projeções de filmes durante esse tempo?
Almeida -
Foi muito grande. Começou em um auditório todo errado. Os primeiros anos foram feitos em um auditório que tinha muita luminosidade e teto branco. Não pode. Cinema tem que ser em sala escura. Depois começamos a fazer no auditório do CIC (Centro Integrado de Cultura). Lembro que havia certo receio de que não encher a sala, que era muito grande para os padrões do festival. Mas eu tinha certeza de que haveria público. E a sala lotou e foi um sucesso. Depois passou para o auditório da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Eu vim fazer os testes e deu certo. O auditório é muito bom. Claro que tem sempre algum probleminha, questões sonoras, de reverberação do som, por exemplo. Mas, apesar de não ter sido construído como uma sala de cinema, o auditório é muito bom e dá boa visibilidade ao festival.

Pergunta - Trabalhando tanto com cinema, o senhor já teve vontade de fazer um filme?
Almeida -
Não. Nunca. Não tenho vontade. Além do que é complicado. O Brasil não há indústria cinematográfica, não tem parque industrial. Quem banca os filmes, o cinema, os festivais é o Estado. E ainda tem gente que não considera o Mazzaropi como cineasta. Esse sim era um cara esperto, bancava e fazia os próprios filmes e conseguia boas bilheterias. Hoje o cinema no Brasil tem melhores histórias, melhores roteiros e mais técnica, mas na parte do financiamento continua a mesma coisa. Mas eu não tenho vontade de fazer filmes, não. Eu sou o homem dos bastidores.

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