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"Deveríamos fazer filmes latino-americanos", diz Juan Zoppi/ foto: Michele Diniz

Entrevistas

24.06.2011

"Árbol" discute a relação entre homem e a natureza

Juan Zoppi começou a fazer cinema com amigos na universidade. Dali, saiu o curta-metragem 76, que traz como pano de fundo a última ditadura militar argentina. Agora, Juan vem ao FAM representar o curta-metragem Árbol, que discute a luta entre o homem e a natureza.
Vindo da cidade de Córdoba, o assistente de direção conta que foi bem difícil encontrar a locação para o filme, que se passa em um deserto onde há apenas uma árvore. “Rodamos centenas de quilômetros e no final achamos o lugar perfeito em Carlos Paz, cidade vizinha de Córdoba.”
Nesta entrevista, ele conta como é fazer cinema em Córdoba e explica a crença em um cinema latino-americano em que realizadores de diferentes países entendam a questão da língua como uma oportunidade para mesclar culturas na diversidade das telas do cinema.

Pergunta - Como é viver de cinema em Córdoba?
Juan Zoppi -
Até poucos anos atrás não era possível. Noventa por cento dos filmes financiados e produzidos na Argentina se refere à Buenos Aires. Felizmente, hoje há um processo de abertura e incentivo para outras regiões do país. O cinema cordobês é muito novo e só agora há gente que se dedica a trabalhar com cinema em Córdoba.

Pergunta - Córdoba por si só tem uma produção cinematográfica muito rica, mas muitas vezes ela não é divulgada ou não vai para outras províncias. Por que isso acontece?
Zoppi -
Para mim, o grande problema era que o argentino não ia ver cinema argentino. Essa realidade está mudando, os filmes estão sendo mais bem divulgados. E também o Oscar veio mostrar aos argentinos que os filmes feitos na Argentina são bons (no ano passado, o filme argentino O Segredo de seus olhos ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro).

Pergunta - E sobre a relação entre cinema brasileiro e o cinema argentino, por que não há maior intercâmbio entre os filmes produzidos nos dois países?
Zoppi -
Esse é um aspecto que eu lamento. Eu conheço muito pouco do cinema brasileiro porque pouca coisa chega na Argentina. São cinematografias diferentes. Vocês aqui valorizam o curta-metragem, coisa que na Argentina não acontece. Lá, o curta-metragem ainda é visto como coisa de estudante enquanto que no Brasil se valoriza o curta. Acho que deveria ter mais ligação entre os dois países, deveríamos fazer filmes latino-americanos. Dessa mescla poderiam sair coisas bem interessantes.
 

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