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27.06.2011
Amor e pendências em um belo filme
Filme que merece ser visto e revisto (a distribuição no Brasil está em negociação), e que por isso mesmo recebeu prêmios internacionais (entre eles, o Goya do cinema espanhol de melhor filme Ibero-americano), La Vida de los Peces, do diretor chileno Matías Bize, conquistou o público da Mostra de Longas Mercosul, na noite de domingo, com uma fotografia esmerada, ótima direção de atores, roteiro bem construído e uma história de amor e pendências contada de forma sensível.
Depois de 10 anos morando na Alemanha, Andrés (Santiago Cabrera, da série Heroes, que fez também o guerrilheiro Camilo Cienfuegos no Che de Steven Soderbergh), jornalista que vive viajando pelo mundo escrevendo para revistas de turismo, volta ao Chile para vender as propriedades dos pais falecidos e tentar acertar as contas com o passado.
Toda a ação do filme se passa no interior de uma casa, onde acontece a festa de aniversário de um dos amigos de Andrés. Todos os planos são fechados, o filme é quase todo feito de closes, e a câmara persegue o protagonista até que ele encontra o grande amor que deixou para trás, Beatriz (Blanca Lewin). O motivo da partida de Andrés, 10 anos antes, teria sido o acidente de carro no qual morreu seu melhor amigo (para o diretor mineiro Gilberto Scarpa, "o bonitão talvez tenha ido pra Europa tentar ser modelo"). Na fuga, ele deixou Beatriz dizendo que voltaria em três meses e eles se reencontrariam em um café. Ela compareceu ao encontro, ele não.
Dentro da casa, o reencontro entre os ex-namorados - ela, agora, está casada e tem duas filhas gêmeas de cinco anos - se dá aos poucos, com olhares e conversas interrompidas por diversas situações (outras pessoas da festa que intervêm, coisas que precisam ser ditas que não o são, gestos que são esboçados e que se perdem). Enquanto circula pela casa, tentando ir embora para o hotel e nunca conseguindo, Andrés ingressa no labirinto da própria memória, conversa com os irmãos do amigo morto, com a empregada da casa, joga videogame com dois adolescentes (um deles, filho do amigo aniversariante) que lhe fazem perguntas importantíssimas) e tenta se reaproximar de (e se explicar a) Beatriz.
Dez anos são muito tempo, mas não o bastante para apagar todas as mágoas que ficaram pendentes. Beatriz e Andrés bem que tentam, ela se esforça para superar o egoísmo dele, mas, no entanto, ao final, se o passado está dentro da casa, da porta para fora o presente de ambos implica realidades (e compromissos) bem diferentes.


