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27.06.2011
Emoções no labirinto da memória
Aos 31 anos, o diretor chileno Matías Bize conta com quatro longa-metragens no currículo: Sábado (2003), La Cama (2005, também exibido no FAM), Lo Bueno de Llorar (2007) e La Vida de los Peces (2010), este último vencedor do prêmio Goya (principal honraria do cinema espanhol) de melhor filme Ibero-americano. Nesta breve entrevista, Bize explica detalhes das filmagens e da elaboração do roteiro, fala da escolha do ator principal, das metáforas envolvendo peixes e sobre as perspectivas de distribuição do filme no Brasil.
Pergunta - Você concentrou a ação no interior de uma casa (no bairro Alto de Santiago), e usou muitos closes e planos fechados para contar a história. Pode explicar essa opção?
Matías Bize - A ideia era concentrar tudo num só espaço e tempo. De modo a tirar todos os elementos acessórios - poderia, por exemplo, começar o filme com ele em Berlim indo para o aeroporto, depois no avião e por nfim chegando ao Chile e à festa - e concentrar tudo no encontro, ou reencontro, de Andrés com o seu mundo e com Beatriz. A intenção era falar de emoções, era isso que interessava.
Pergunta - A câmera persegue o ator principal, que aparece na totalidade das cenas. Como foi a escolha de Santiago Cabrera para o papel de Andrés?
Bize - Eu precisava de um ator que fosse muito bom, um tremendo intérprete. E eu conheci o Santiago fazendo o papel do Camilo Cienfuegos no filme Che (direção de Steven Soderbergh), com o Benício del Toro. E coincidentemente ele vivia há 10 anos fora do Chile, como o personagem. Tivemos, como se diz lá no Chile, uma "buena onda", um feeling, e as coisas funcionaram bem. Ele (Cabrera) tinha visto La Cama e gostado bastante também e, quando leu o roteiro, disse que se sentiria honrado em fazer o papel.
Pergunta - A casa funciona como uma espécie de labirinto da memória de Andrés, e os peixes, que aparecem em um dos encontros dele com Beatriz (Blanca Lewin), não têm memória. Que metáforas quiseste utilizar com os peixes.
Bize - O filme se passa em uma casa, em um ambiente fechado, que funciona como um aquário. As pessoas se movimentam pela casa, sobem e descem escadas, entram em quartos, vão e voltam, como os peixes fazem. E sempre em um áquario há algo na frente dos peixes, por isso colocamos em várias cenas um objeto em primeiro plano, à frente dos personagens.
Pergunta - E o roteiro e as filmagens, quanto tempo de preparação e duração. Uma das coisas que ficam em aberto no filme é a real motivação para a partida de Andrés para a Alemanha. Parece que o acidente e a morte do amigo foi apenas uma desculpa.
Bize - O roteiro, que escrevi com Julio Rojas (com quem fiz também La Cama), foi elaborado em um ano e meio. As filmagens duraram cinco semanas, porque eu gosto de ensaiar bastante com os atores. Filmamos na ordem do roteiro. O último plano foi ele saindo pela porta. Para mim, ele foi para a Europa porque não queria se comprometer com Beatriz, este teria sido o real motivo.


