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05.06.2011
Fronteiras diluídas em O Céu sobre os Ombros
Vencedor de cinco Candangos no Festival de Brasília, de 2010, inclusive de melhor filme e direção, e do 29º Festival Cinematográfico do Uruguai, O Céu sobre os Ombros, do diretor Sérgio Borges, é um dos filmes da Mostra de Longas Mercosul do FAM 2011 - Florianópolis Audiovisual Mercosul.
A produção se insere na corrente das obras que ignoram as fronteiras entre ficção e documentário e tem forte apelo do cinema experimental. São três personagens reais que interpretam suas próprias histórias: a transexual Everlyn Barbin divide a rotina de profissional de sexo com a vida acadêmica, fez mestrado sobre os diários de um hermafrodita do século 19 e é professora de cursos de sexualidade. Murari Krishna integra a torcida Galoucura, do Atlético Mineiro, cozinha, anda de skate, trabalha com telemarketing e é do movimento Hare Krishna. Lwei Bakongo é africano, descendentes de portugueses, e vive às custas da mulher e da mãe, sob o a aura de um escritor marginal, que já escreveu vários livros, mas não concluiu nenhum.
Os três não se conhecem, têm histórias singulares, mas seus desejos e seus medos se cruzam e se interpenetram, costurando uma narrativa de perguntas e respostas, de posicionamentos distintos e afins, onde há dualidade permanece, o que é real, o que é ficção. Borges é mineiro e é seu primeiro longa, já selecionado também para mostra competitiva no Festival de Roterdã, na Holanda.


