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Documentário de Julio Lellis sobre Nélida Piñon agradou o público do FAM/Michele Diniz

Entrevistas

29.06.2011

Afetos e espiritualidade no doc sobre Nélida Piñon

Antes mesmo de ser diretor, Julio Lellis já tinha bem claro que desejava fazer um filme sobre Nélida Piñon. Era ator em uma cidade do interior mineiro e esbarrou com os textos da escritora. Mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar cinema e começou a pensar em como chegaria até a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras. Num encontro sobre Eça de Queiroz tomou coragem e chegou até ela para contar sua vontade. Nélida falou para mandar um e-mail. Levou um mês até escrever e enviar, ao que escritora respondeu com um convite para visitá-la em sua casa. Começava uma amizade e o documentário de Lellis, Nélida Piñon - Mapas dos Afetos, exibido na mostra Doc-FAM na última terça-feira. A produção teve boa repercussão com o público. Lellis, também diretor do filme Mea Culpa, conta nesta entrevista sobre o documentário e a relação que criou com a escritora.

Pergunta – Por que você escolheu Nélida Piñon?
Julio Lellis –
Sempre gostei muito de enfocar a mulher, desse mundo que ela caminha. Comecei a ler os textos de Nélida e na hora me tocaram e disse, vou fazer um filme sobre ela. Quando minha irmã estava em coma no hospital e para morrer, li um texto de Nélida, que a Maria Bethânia canta. “Ouvi” a voz da minha irmã dizer: vá e faça que ela saiba que eu existi. Vendi minha moto e fui para o Rio, naquele oceano atemorizador para mim, do interior. De onde eu vinha, éramos honestos e no primeiro apartamento que aluguei paguei três meses antecipado, no dia seguinte descobri que a pessoa que tinha me alugado, tinha roubado a chave e se passado por dono. Fui para Copacabana carregando minha mala e sentei no banco e rezei. Pensava muito em Nélida. Depois eu fui estudar cinema, fiz o curso do Tablado.

Pergunta - Como foi o processo do documentário? Ela tem uma intimidade incrível com a câmera.
Lellis –
Fiquei quase um ano ouvindo a Nélida antes de ligar a câmera. Nesse tempo ficamos amigos, começamos a viajar juntos. Quando terminei o filme levei para ela assistir e que ficasse a vontade para tirar o que quisesse. Tenho tanto material que posso fazer outro filme.

Pergunta – A montagem do filme é muito interessante? Qual foi a sua proposta?
Lellis –
Não fiz nada da montagem. Entreguei o material de umas 12 horas para o André Damin, de Caxias do Sul, e ele fez o roteiro e a montagem. Como os russos falam, o filme é do montador.

 

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