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29.06.2011
Brasil começa a se voltar para as coproduções com a América Latina
O Fórum Audiovisual Mercosul apresentou, na tarde de quarta-feira, o painel Coproduções internacionais e conteúdos para televisão, que contou com a participação dos produtores Beto Rodrigues, da Panda Filmes, de Porto Alegre, e Pablo Fernández (também roteirista do longa uruguaio Reus), o diretor da RPC TV, Paulo Áreas, e o advogado da Globosat e professor de Direito Autoral da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, Petrus Barreto.
Para Beto Rodrigues, está acontecendo uma mudança estratégica da mentalidade do audiovisual brasileiro, que sempre teve uma cinematografia voltada de costas para a América Latina. “O Brasil firmou vários acordos bilaterais, mas muito pouco resultou deles. Não temos tradição. A coprodução altera o itinerário do cinema brasileiro”, disse o produtor que teve dois longas em coprodução exibidos no FAM 2011, o uruguaio Reus e o argentino La Vieja de a Trás.
Segundo Beto, a coprodução traz três vantagens: o compartilhamentos dos riscos, pois ataca o problema de se levantar fundos para o orçamento; o estranhamento cultural , muito produtivo para qualquer obra de arte, porque ao transpormos fronteiras também transportamos a nossa visão de mundo; e a abertura de potencial de mercado da obra, com o comprometimento dos parceiros na promoção dos filmes.
Professor de cinema na Unisinos, no Rio Grande do Sul, Beto Rodrigues disse que a criação da Ancine, em 2001, permitiu ao país repensar a sua estratégia. Segundo ele, está na hora de se rediscutir uma série de entraves à cooperação, principalmente no que diz respeito às políticas alfandegária e tributária.
Roteirista e produtor de Reus, Pablo Fernandez, disse que a parceria com Beto Rodrigues começou sem a existência de um acordo bilateral, em 2008, na reunião da Recam. “No Uruguai, produção é sinônimo de coprodução, dependemos do Mercosul para conseguirmos fazer cinema. Estamos trabalhando juntos e mostrando nosso cinema para todos”, disse Fernandez, para quem os filmes têm que ser feitos para o público. “Tivemos 50 mil entradas só no Uruguai, há seis anos que um filmes não passava das 30 mil entradas”, afirmou.
Para Petrus Barreto, a produção audiovisual, seja ela isolada ou coprodução, nacional ou internacional, é, essencialmente, um negócio jurídico. E uma obra cinematográfica exige um arcabouço legal que inclui os contratos de coprodução, contratação de diretores, relações sindicais, direitos de distribuição. Segundo Barreto, produzir no país é difícil por causa de uma série de problemas econômicos, principalmente na questão do dumping, uma vez que os produtos de Hollywood chegam ao Brasil custando 1,2 mil dólares a hora. “Assim não dá para competir”, disse, questionando, ao final, se os diretores brasileiros estão preocupados em criar um ambiente produtivo, uma indústria, ou pegar o dinheiro do governo e produzir para o umbigo.
Na opinião de Paulo Áreas, há décadas os produtos de Hollywood dominam todos os países do mundo, no cinema e nos DVDs, mas, em televisão, o que dá audiência é a produção do país. “Em Portugal, depois de anos de hegemonia das novelas brasileiros, agora são as novelas portuguesas que têm mais audiência”, revelou. Segundo ele, o panorama de tevê no Brasil sofreu várias mudanças nos últimos anos, com o fortalecimento da Record, cuja audiência acompanha valor do investimento. “O mercado de tevê paga está crescendo 30% o ano, e as emissoras que transmitirem em HD terão a mesma qualidade de imagem da Globo”, disse.


